raiva.
em minúsculas, tudo assim. é uma pequena raiva. uma pequena sensação, intermitente, corpulenta, sem sentido, ruim, feia, nacarado, tua.
raiva de não escrever aqui por ti.
de não escrever aqui por não saber escrever.
fazes-me falta. tu, tu e tu. três vezes tu, e três "tu" diferentes.
talvez os três "tu" que mais me fizeram escrever.
1 - tu, vi agora uma foto tua, estás naquela piscina, que já foi um pouco nossa, sabes? não só nossa, era algo pequeno, algo compartilhado, mas era bom e agora? agora já não há quatro amigos... ficaram três. um assiste a dois zangarem-se quando a sua linha não era só amiga. fica um com dois, mas dois só com um. e eu fui o vosso um, um amigo para um. um amigo confuso para outro. e tu. tu eras também confuso na linha que nos juntava, era uma linha de amigos, mas não era segura. era confusa. era pendente, intermitente, cadente e ambiciosa, a linha queria algo mais para nós. não me tenho lembrado de ti, mas quando vi hoje a foto fiquei triste, era um sitio nosso, foi por isso, foi uma pequena raiva. e apercebi-me das saudades que tinha e de que, por mais que esconda de mim próprio, preciso de ti na minha vida, não sei de que forma mas preciso. e sei que nada faço. que a linha quebrou quando a tua se juntou a do outro do trio, mas rapidamente a vossa se cortou de novo. e quando vi que a nossa se quebrou? não tentei, e nada recebi. mas foi quando, quando recebi um formal, pomposo e arrependido pedido de desculpas. aceitei. mas nada mudou. és um menos um por enquanto.
2 - não posso deixar de sorrir. por ti. pelo que te tornas.te. foi estranho. não foi, mas... quando subi as escadas do metro do chiado, no preciso momento em que acabei de ler a tua fita... e fiquei parado. foi muito. muito mesmo. e quando me deste a fita. lá em baixo no metro. quando me afastei e gritaste o meu nome e disseste que tínhamos de combinar algo? para eu combinar algo contigo? e não combinei, não ainda. mas quero! muito. não és a fita, não és o tempo que passámos juntos quando te dei a fita, és muito mais, sempre foste. és o meu "primo" mais novo, o meu orgulho. és um mais um.
3 - de ti também tenho uma falta. não sei, não sei mesmo. tenho uma pequena falta de coisas que eras. da naturalidade das coisas, hoje nada seria natural. portanto não tenho falta. mas nunca sei se tenho. digo que não tenho. e é o que realmente penso.mas? mas nunca tenho certeza, nunca é um cem por cento, nunca é tudo. mas posso ter falta. se tiver tenho, não. não vejo. não vejo que volte a ter algo dessas coisas. lembras-te daqueles saquinhos do chupa em forma de pé? fomos um pouco isso. primeiro o sabor doce do chupa. infantil, amigo, suave, que ao tocar no inicio dos estalidos começou a borbulhar tudo em nós, e lá se afundou nos estalidos, e foi o que vimos, foi tudo aquilo e até durou, mas os estalidos também chateiam e já chegava de estalidos. e hoje, hoje somos uma embalagem. perdida, perdida durante quase um ano. e parece que a encontrámos... já não há chupa, já não há estalidos. e sentimos falta de algo, porque só há um vazio. e talvez queiras procurar algo do chupa, um pequeno pedaço partido no fundo da embalagem, ou mesmo um pequeno estalido. mas a mim? a mim não me parece possível, nem quero, tenho medo sim, porque estou bem assim. porque não vejo como poderia voltar a ser chupa ou estalido. já não o sei ser. já perdi isso, vou me repetir, tudo muda, nós mudamos e já não sou chupa ou estalido. e não o quero voltar a ser. talvez um dia sejamos algo parecido com o chupa, suave sabes? mas não vejo como. não sei o que sou, talvez um dia olhe para trás e arranje uma analogia para o agora, esperemos. não és mais nem menos um tu. és um pequeno vazio, de uma embalagem de chupa.